June 24, 2008

Open Innovation & Open Source

Semana passada participei de um painel de debates em um seminário sobre Open Innovation, com o próprio Henry Chesbrough, autor do livro “Open Innovation: the new imperative for creating and profiting from technology”. Só para lembrar, o conceito de Open Innovation quebra o paradigma tradicional da P&D feito a portas fechadas, por uma única empresa. Este conceito trata a P&D como um sistema aberto onde tanto idéias externas e internas são debatidas e as melhores alternativas são selecionadas. No livro ele dedica um capítulo especial à IBM, onde descreve a transformação da empresa em sair do tradicional modelo de inovação fechado para o modelo Open Innovation. Em breve vocês poderão ver os slides apresentados e os vídeos dos painéis de debates no site www.openinnovationseminar.com.br. O livro é uma excelente fonte de referência para o assunto Open Innovation e deve ser lido por todos que estejam interessados em debater inovação em suas emrpesas.

A IBM indiscutivelmente é um case de sucesso na transformação para o modelo Open Innovation e vale a pena vocês lerem o capítulo que descreve o processo. Chesbrough diz que “IBM’s transformation demonstrates that even very large, very successful companies can learn new tricks.” E que “The Open Innovation approach requires IBM to focus on the value chain of its customers, rather than sticking with its traditional research heritage.” E também “Instead of reinventing wheels, IBM uses them to build new vehicles for its customers and makes money doing it.”.

Infelizmente, no evento, não pudemos debater em profundidade o assunto Open Source, mas quero discutir este tópico aqui no blog. O modelo Open Source é um exemplo claro do modelo de inovação aberta, pois envolve colaboração entre empresas, comunidade de desenvolvedores, clientes, etc. E este modelo tem impactado a indústria de software, obrigando a revisão dos antigos e tradicionais modelos de negócios, usados há pelo menos 25 a 30 anos.

O modelo Open Source difere do modelo tradicional em basicamente dois aspectos: o processo de desenvolvimento, que é essencialmente uma produção colaborativa e a filosofia de propriedade intelectual, que permite a livre distribuição do código fonte, bem como o direito de modificá-lo.

Open Innovation com Open Source pode se dar de várias formas. Podemos identificar o modelo de “Pooled R&D”, típicamente representado pelos projetos Linux e Mozilla, onde diversas firmas (a IBM é uma delas) e a comunidade pesquisam e desenvolvem o software de forma colaborativa. Outro modelo é o Spinout representado pelo Eclipse. A IBM criou o projeto Eclipse doando código e propriedade intelectual e apoiando financeiramente a Eclipse Foundation.

A importância do Eclipse na indústria de software pode ser medido por alguns comentários publicados na midia, como o InfoWorld de janeiro de 2006 que disse “..the Eclipse open source tools platform has come into its own, emerging as both an alternative to Microsoft...in the application development space and the de facto standard for developing Java”. Outros textos que valem a pena citar “Eclipse has won, what next for Eclipse”, dito pelo analista Carl Zetie do Forrester Research e “This year we find that six in ten respondents use Eclipse as their primary IDE…”, publicado a partir de pesquisa com desenvolvedores, efetuada pelo Evans Data, em setembro de 2006.

Mas, porque o Eclipse faz tanto sucesso? Ele é um exemplo prático e bem sucedido do modelo de Open Innovation, onde empresas concorrentes podem criar redes de inovação, cooperando no desenvolvimento de softwares Open Source, que servirão de base para produtos específicos (proprietários), com os quais concorrerão no mercado. O Eclipse é aberto a todos, sob as mesmas regras. Não existem regras que excluam ou minimizem a participação de quaisquer contribuidores, mesmo que eles sejam concorrentes diretos entre si. Todas as discussões e deliberações dos projetos são transparentes a todos, abertos e públicos. O processo que governa os projetos Eclipse é meritocracia: quanto mais você contribui, mais responsabilidade pode obter.

O sucesso do Eclipse, é portanto, não apenas fruto de uma comunidade Open Source vibrante e atuante, mas também de um ecossistema saudável onde empresas de software (concorrentes ou não) trabalham juntos na criação de uma plataforma que servirá de base para seus produtos e serviços. Em resumo, as empresas cooperam na construção da plataforma e competem em produtos específicos, construídos em cima desta mesma plataforma.

Mas existem outros modelos de Open Source baseado em Open Innovation, como o modelo de venda de componentes, como exemplificado pelo Apache e o KDE, e o baseado em estratégias “dual licence”como MySQL.

O modelo Open Source é um belo exemplo de como empresas podem atuar em ecossistemas complexos combinando inovações internas e externas e provavelmente poderá servir de inspiração à adoção do modelo de Open Innovation por outros setores de negócios.

June 23, 2008

O desafio de unir TI a negócios

A alguns anos tomei uma das mais importantes de decisões da minha carreira. Depois de mais de 7 anos estudando tecnologia (segundo grau técnico em processamento de dados, seguido de faculdade de processamento de dados), resolvi fazer um Mestrado em Administração.

Acreditem, não foi fácil. Em matérias como Marketing, Recursos Humanos, Estratégia, entre muitas outras, assumia-se no Mestrado que o aluno já conhecia todos os seus fundamentos básicos. Em cada uma destas matérias eu sabia que teria que estudar mais do que meus colegas de Mestrado, já que a imensa maioria deles ou vinha de carreiras com mais matérias afins com administração, ou já tinham ao menos um MBA finalizado.

Mas eu quero mesmo é falar da cadeira de E-Commerce. Para mim foi a melhor cadeira que tive em todo Mestrado. Com mais de sete anos de estudo em TI e já 12 anos de experiência profissional, escolhi E-Commerce (que era uma eletiva) num período em que estava fazendo outras matérias bem puxadas.

E é aí que chego ao ponto deste post. A cadeira de E-Commerce analisava a utilização da internet para os negócios. Artigos de Porter e outros teóricos da administração, artigos sobre E-Metrics, artigos sobre os futuros usos da internet ... tudo com muito pouco de tecnologia em si, e muito de negócios.

Tecnologia + Negócios.

Tenho visto cada vez mais artigos sobre o assunto. Sobre o novo papel dos CIOs nos boards de estratégia das empresas. Sempre buscando descobrir como fazer o melhor uso da tecnologia para o negócio da empresa, muito mais do que para procurar reduzir custos o novo CIO procura utilizar a tecnologia  para gerar diferencial competitivo: lançar produtos mais rapidamente; ter produtos mais atraentes para os usuários; aumentar o nível de customização; etc.

Mais sobre o assunto nos próximos posts...